Almanaque de natal 2010

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POEMA

Ouço o jazz
Da serralheria artística

Mais do que ouço;
Vejo

(Cordas e Metais, SCL)

COLAPSO
A poesia é o capital simbólico das seqüelas do meu dezelo íntimo e colapso existencial (SCL, In, Lume Neutro, Caderno de Rascunhos Poéticos, Dezembro 2010)

CAFEINATO
“Resto de café/No copo, sobra/Só, o cheiro/Que reina…” (SCL)

SALVAÇÃO
A minha poesia me salva de mim, porque me aliena do mundo em que estupidamente sobrevivo (SCL)

PITANGAL
Chão de pitangas:
A árvore debulha sangue
E drops góticos
( Terceto Rubro No Chão, SCL)

INQUERER
A vida me deu um baita abacaxi para descascar/Fiz uma caipirinha de limão para a patroa/E fui tomar chope com os amigos no bar (SCL)

VERSUS
Acho que quero que todos os poemas de minha vida/Preencham para sempre a minha infância perdida (SCL)

ALMANAQUE
01)-Os dias assam como um canivete numa cebola – 02)-Choro escondido porque não tenho ninguém para chorar perto – 03)-Escrevo vozez que não existem e me sinto em casa – 04)-O dia de hoje nem deveria ter existido – 05)-Só tenho visões quando estou em minha aldeia Itararé 06)-Não sei o que estou fazendo comigo quando me encontro a sós – 07)-Poemas são pedidos de socorro em vão 08)-Escrevo para ter uma realidade substituta – 09)-Ando meio desparafusado do meu íntimo – 10)-Amar e escrever tem tudo a ver com escrever – 11)-As trilhas dão em nós mesmos quando estamos sós – 12)-No circo da vida estamos sem rede de proteção – 13)-A arte tem o sentido de nos preservar do real – 14)-Viver não deve ser só um esconderijo de idéias (SCL, Díspares Íntimos, Primeiro Rascunhos)

MICROCONTO
O circo pegou fogo. Todos os animais foram salvos (SCL, Álcool de Noé)

PARLENDA DE PELÚCIA
Disseram as uvas, fazendo tipo: -As raposas estão verdes. (SCL)

BICO DE PENA
O transe criativo paira sobre o poeta como uma clarificação (Transe, SCL)

SOBREVIVÊNCIA
Eu escrevo porque sou ingênuo, e tento recriar na arte, a dor do que fiz de mim, a partir do que a sobrevivência possível fez de mim (SCL)

LOUCURA, CHICLETE E SOM
Um poeta louco pichou num muro em Samparaguai: Salvem os silêncios. (SCL)

DESORIENTADO
Escrever me desorienta. Assim eu sobrevivo alienado da corja humana, no pântano da hipocrisia social (SCL)

CURTA E GROSSA
Viver é plágio (SCL)

INCOMPLETUDE
Eu não permaneço no que escrevo. Eu não suportaria (SCL)

POÉTICA
Deixem-me em paz com a minha guerra (SCL)

ESCOMBRO
Minha literatura é um escombro tragicômico da minha triste sensibilidade ferida, por ter que forçosamente parecer-me com humano (SCL)

LEVE E SUAVE
Viver é como escrever: é só correr o risco. Assino embaixo. (SCL, Para Não Dizer Que Não Falei de Flores)

LIRICAL
Sou um escrevedor de desertos. Minha lácrima poética seca no formigueiro das palavras. Então eu verto calvários, silencitudes, perguntamentos, lumeneutros e irrazões no seco de minha aridez intima, e ainda assim, por isso mesmo, paradoxalmente lírica (SCL)

FALANDO SÉRIO
A poesia é algema ou liberdade? (A Máscara de Ser-me/Prisioneiro de Mim Mesmo, SCL)

QUEBRA GELO
Um poeta se alimenta de nódoas (Sobrevida, fragmento, SCL)

CAUSINHO
Quando as pessoas começam desesperadamente a me evitar, quando animais selvagens saem correndo de mim quando passo pelas trilhas, quando animais domésticos se entocam apavorados quando aponto na curva da esquina, quando mandorovás caem secos das jabuticabeiras e camaleões se escondem de roxo quando surjo no devão do quintal, quando urubus passam voando baixo com uma asa cobrindo as narinas, então finalmente compreendo que está na hora de tomar banho, mesmo sabendo que o banho faz mal pra água (Preserve o Banho, SCL)

LIBERTAÇÃO
Estou terrivelmente começando a parecer com humano e isso é um perigo. Acho que está na hora de eu ser recolhido para ser reciclado, talvez se aproveite alguma peça de reposição na carcaça (SCL)

POEMINHO
A pele que eu habito/Não me adere/Então escrevendo regurgito/O que me fere/A poesia é o meu grito/Além da pele/Pode ser que nesse rito/Eu me sele (SCL, Lume Neutro)

CONTINHO
Tem alguém me esperando voltar (SCL, Céu Aberto)

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Silas Correa Leite [Poeta, Escritor, Jornalista Comunitário e Educador Brasileiro]

Silas Correa Leite. Educador, Jornalista Comunitário e Conselheiro em Direitos Humanos, começou a escrever aos 16 anos no jornal “O Guarani” de Itararé-SP.

Fez Direito e Geografia, é Especialista em Educação (Mackenzie), com extensão universitária em Literatura na Comunicação (ECA).

Autor entre outros de “Porta-Lapsos”, Poemas, Editora A

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Tomo tu dolor, Cristo crucificado
Y quiero bajarte de ese horror
Quiero arrancar el clavo en tus pies clavado
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Siento dolor, Jesús, al mirar tu estado
Y quiero salvarte de ese terror
Liberar tus brazos abiertos del madero armado
Cantarte una cantiga, darte un
cobertor.

Siento tu dolor, mi Dios, allí clavado
Que vier

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